Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Uma história em Catraia dos Assequins (concelho de Águeda)

 

 

Noite de verão, arraial ao ar livre.

 

Esse bailarico iria ser animado por dois conjuntos: aquele onde eu tocava e o outro onde eu iria tocar dois anos mais tarde.

 

Como nós chegámos primeiro, fomos dispondo o material na nossa metade do palco, e o "PA" (o conjunto de colunas de som destinadas ao público) montado em cada extremidade.

 

Estávamos nós ainda com a nossa "tralha" toda espalhada, em processo de montagem, quando chegou o pessoal do outro conjunto, malta porreira e com quem ainda hoje mantenho boas relações.

 

E eis que o respectivo teclista, um tipo ainda mais... aaaa... "corpulento" do que o "tal músico de 1m80 de altura e mais de 100 kg de peso" (adivinhem quem  ...), irrompe palco adentro numa corrida aparentemente desenfreada, o que provocou desde logo os nossos protestos bem humorados ("olha lá essa m*******rda!", "cuidado com as patas!", "olha que nos f*****des o material, p***rra!!!"), seguido de uma boa dose de gargalhadas e de uns calorosos cumprimentos.

 

Depois uns minutos de conversas, lá voltámos às nossas tarefas, nós de um lado e eles do outro, entre algumas "bocas" bem-humoradas.

 

Depois de se combinar quem começava e quem acabava o baile, bem como a duração de cada série (uma hora), e ainda alguns "arranjos" entre os vocalistas (pois são normalmente eles quem estão com atenção à receptividade das músicas por parte do público e, como tal, determinam o que a banda irá tocar a seguir), para se evitar repetições de canções, fomos jantar.

 

Começámos nós. E o arraial prosseguiu sem qualquer novidade.

  

Passada uma hora, interrompemos a actuação, para dar lugar aos nossos colegas.

 

E aproveitámos para percorrer as "barraquinhas" do arraial, apreciando os diversos produtos ali à venda.

 

O outro conjunto, a dado momento, começou a tocar a canção "LUA (FEITICEIRA NUA)", de Jorge Fernando.

  

... De repente, demo-nos conta de algo anormal...

 

Não era o vocalista do outro conjunto quem estava a cantá-la, mas sim outro tipo.

 

Mais: em lugar da letra normal ("Lua / Feiticeira Nua / A noite é toda tua / Lua"), ouvia-se algo parecido com

 

LUUUULA!

AH LULA KATALUUUULA!

AH LULA KATALUUUULA!

LULA!

 

Primeiro surpresos , depois a rirmos perdidamente, apercebemo-nos que o vocalista do outro conjunto tinha dado o lugar e o microfone a um deficiente mental que, com voz gutural, entoava aquela espécie de "versão".

 

Não perdemos tempo e fomos para cima do palco "ajudar" o moço! Pois então!!

 

E eis que numa inusitada acção de solidariedade para com o "rapaz", os músicos dos dois conjuntos, num tão poderoso quão afinado coro, cantavam o refrão

   

LUUUULA!

AH LULA KATALUUUULA!

AH LULA KATALUUUULA!

LULA! 

 

E assim se concluiu mais uma noite de verão, por acaso noite de LULA KATALUUUULA... ooopsss... aaa... arham... quer dizer... de Lua Cheia.

 

 

Visitante
 

 

Sinto-me:
Música: "Lula Katalula"...quer dizer, "LUA FEITICEIRA NUA

Publicado por Visitante às 09:36
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Uma História em Inguias (Concelho de Belmonte)

 

 

Noite de Verão, arraial ao ar livre.

 

Mas antes, retrocedamos um pouco até à manhã desse dia...

 

O conjunto tinha actuado na noite anterior numa outra terra, na zona de Condeixa-a-Nova, até às três da madrugada.

 

Depois de arrumado o material na carrinha e recebido o "cachet", fizemo-nos à estrada até à Beira Baixa, com destino à terra natal do nosso baixista, que fica perto de Inguias, e fazendo tenções de dormirmos umas horas em casa dos pais deste, que gentilmente nos ofereceram alojamento.

 

Dois elementos do conjunto levavam as respectivas mulheres; e o baixista levava um casal amigo, que ia em transporte próprio - o que foi óptimo para quem quis dormir na carrinha, pois podia estender-se ao comprido no banco traseiro.

 

Aí fomos nós, revezando-nos no sono e na condução, até que chegámos ao pequeno lugar onde iríamos gozar o nosso merecido descanso, já o sol tinha nascido.

 

Como havia gente a mais, foi necessário redistribuir-se as dormidas.

 

Havia uma cama vazia da cave da casa (uma pequena vivenda de dois pisos), que continha uma adega, os sacos de sementes, as alfaias, ferramentas, etc. Apesar da cave aparentar  ser inóspita, não hesitei e escolhi aquela cama para mim.

 

Enquanto o resto do pessoal se arrumava nas outras dependências, eu despedi-me de todos informando que iria dormir. Tal era a soneira que, quando cheguei ao pé da mãe do nosso viola-baixo, eu disse à simpática senhora: "Olhe, D. "Fulana", eu dispo-me já...... ...despeço-me já e até logo".

 

E lá me encaminhei para a cave, que tinha acesso por uma porta externa.

 

Ainda fui ao tanque de rega (que, para quem não sabe, é uma pequena "piscina" com cerca de um metro de profundidade) e tomei um "banho provisório".

 

Depois sim, deitei-me (uuuaaaahhh!) e adormeeeeeerrrrrrzzzzz! rzzzzzz!rrrrTRÁ!TARAÁ!BUM!BUM!BUM!

 

Acordei sobressaltado, "P*******rra! C********lho! F********-se! Qu'é esta m*******rda???"... 

 

Totalmente desperto, dei-me conta que era... o foguetório da alvorada da Festa de Casteleiro (localidade onde se situa a casa onde estávamos)... TRÁÁÁ!TARARÁÁÁÁ!BUMM!BUMM!BUMM!

  

Virei-me para o outro lado TRÁÁÁ!TARARÁÁÁÁ!BUMM!BUMM!BUMM! e fechei os olhos, aguardando pacientemente o troar dos três últimos morteiros. 

 

Após alguns minutos de ruidosa espera e para alívio deste "desgraçado" eis que soaram os três sagrados

 

BUMMM!

 

BUMMMMM!

 

 

BUMMMMMMMM! 

 

Ahhhh, que alívio!!!! Finalmente, adormeci nas paz dos anjos.

 

Fomos acordados por volta da hora do almoço, para nos banquetearmos com uma bela carne assada - a simpática senhora era uma excelente cozinheira! -, e eis-nos a caminho de Inguias, onde iríamos tocar.

 

Nessa noite, o nosso baixista, normalmente tão contido e concentrado na leitura das suas pautas (refira-se que ele não tinha ouvido nenhum para a música - como é possível?... - mas era muito certo a tocar, desde que não lhe tirassem os papéis da frente ...), esteve toda a noite a pavonear-se à boca do palco, executando uns curiosos passinhos de dança... (Ok...Estava na sua zona...)

 

Resultado: daquela viola-baixo saíam frequentes notas que nada tinham a ver com a música...

 

Nós, os restantes, lá fomos "segurando as pontas" enquanto o nosso "Rudolf Nureyev de ocasião", ignorando olimpicamente os olhares furiosos dos seus colegas, lá ia exibindo os seus dotes de pretenso dançarino para conterrâneos e familiares.

 

No final, tudo acabou em bem. Demos-lhe o devido desconto, pois um dia não são dias.

 

... E ainda tínhamos de dormir em casa dos pais dele nessa noite... Pois!...

 

 

Visitante

 

Sinto-me:
Música: "Lapsus" (Silvestre Fonseca)

Publicado por Visitante às 17:19
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Uma História em Serreira (Concelho de Sobral de Monte Agraço)

Noite de verão, arraial ao ar livre.

 

Estava a ser uma noite sem história.

 

Uma actuação dentro da normalidade de um grupo de baile: todos porreirinhos da vida a tentar tocar o melhor possível as musiquinhas de verão.

 

Após um sinal para interrompermos o baile, um dos elementos da Comissão de Festas subiu ao palco.

 

Ir-se-ia dar início a um leilão.

 

O dito elemento pegou num microfone e preparou-se para licitar a primeira peça, quando um dos seus colegas da Comissão se aproximou e lhe disse algo ao ouvido.

 

Em tom de voz potente Q.B., o nosso homem anunciou para quem o quis ouvir:

 

- "SENHOR BLHBLHBLHBLHAA BLHBLHBLHBLHBAA BLHBLHBLHAA AO BAR!!!"

 

Surpreendidos, os músicos entreolharam-se e sorriram à socapa. O homem tinha uma pronúncia entaramelada e comia as palavras!!! Não se percebia nada do que ele dizia...

 

Ia haver "festa"...

 

Chegou a vez de se leiloar uma camisa (... ... naãão, Visitantes, não se ponham com ideias!... Era uma camisa daquelas com colarinho, mangas, botões  e tudo!!!).

 

O festeiro levantou o braço, exibiu garbosamente a camisa dentro da caixa e disse:

 

- "BLHBLHBLHBLHAA BLHBLHBLHBLHBAA CAMISA... ... É DEEEE..."

 

... interrompeu-se para avaliar o tecido da camisa...

 

... e recebeu uma bem-vinda "dica" de dentro do palco: " É DE TERYNÉLE!"

 

- "...É DE TERYNÉLE", continuou ele, " ESTÁ EM BLHAAABLHAA ESCUDOS!"...

 

Os músicos, aparentemente a contar anedotas uns aos outros, riam que nem uns perdidos...

 

- "BLHAA BLHAAA MAIS BLHABLHBLHAA CAMISA... É DE... TE-RY-LE-NEEE !!!"... e, após ter acentuado bem a última palavra, olhou com expressão estranha  para o bem humorado grupo de músicos .

 

Estes não se deram por achados... e continuaram a contar as suas anedotas, até que o leilão terminou, e o baile prosseguiu até às tantas.

 

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "Troca-Tintas" (Carlos Paião)

Publicado por Visitante às 13:29
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Uma história em Fundada (Concelho de Vila de Rei)

 

 

Noite de verão, arraial ao ar livre.

 

A banda chegou, descarregou, montou, ligou... enfim, a rotina de sempre... e tocou.

 

O arraial realizava-se no largo principal, situado ao lado da Estrada Nacional 2, que liga Vila de Rei a Abrantes, mas sobreelevado em relação a esta. Como tal, e por óbvias razões de segurança, o largo era delimitado por um parapeito de pedra.

 

Antes de continuar a história, deixem-me dizer-vos que a vida de cinco músicos de baile é feita de muitos ensaios, muitas canções, muitos quilómetros de estrada... e muitas patifarias, também!...

 

Pois bem, estava eu a dizer que a banda tocou.

 

Lá estávamos nós a executar, com mais pundonor do que talento, os êxitos populares em voga naquela altura, e o pessoal dava o seu pezinho de dança, enquanto ao redor do recinto se viam os espectadores mais recatados, mas igualmente interessados.

 

Entre eles, estava o nosso motorista: Um metro e sessenta de altura, cara bonacheirona e corpo gordinho q.b., resultado de boa mesa e melhor álcool...

 

Mais um à-parte: como não tínhamos dinheiro nem para mandar cantar um cego, quanto mais para comprar uma carrinha, optávamos por assegurar os serviços de alguém que dispusesse de uma, a troco de algum "couro e cabelo"...ARHAM!... aaa... quero dizer... escudos por quilómetro percorrido.

 

Voltando ao nosso motorista...

 

Ali estava ele, com um ar sorridente, a assistir à nossa actuação.

 

Chegou o momento de actuar o rancho folclórico. Óptimo, dissemos nós, pois isso implicaria uma sempre bem vinda paragem de, pelo menos, uma hora.

 

É preciso não esquecer que a actuação de um grupo de baile pode durar cinco horas...

 

E os músicos foram sentar-se no parapeito do largo, ao lado do nosso motorista, que, com a sua cara bonacheirona, sorriso aberto e corpo "redondinho", batia palmas ao ritmo da chula debitada pelos músicos do rancho.

 

Mas houve um músico que não se juntou àquele grupo...

 

Com efeito, o "tal músico de 1m80 de altura e mais de 100 kg de peso" (adivinhem quem  ...) tinha o costume de dar um passeio a pé pelas redondezas, com o fito de conhecer melhor a localidade e, também, arejar um pouco.

 

Ao passar na berma da Estrada Nacional 2, por baixo do dito parapeito, viu o motorista ali sentado (com metade do traseiro, qual lua cheia, fora do parapeito...). Sorriu perante o cómico do quadro.

 

Ao olhar para o chão, viu uma vara de eucalipto com cerca de 2 metros de comprimento ali tombada.

 

Voltou a olhar para cima... ... e não resistiu à ideia diabólica que de chofre lhe ocorreu!!!

 

Pegou na vara, transformando o COMPRIMENTO em ALTURA...

 

... e espetou-a numa das bochechas daquele rabo gordo !!!

 

Ao sentir o toque, o pobre homem, como que impelido por uma mola, saltou do parapeito e deu uma curta corrida em passos simiescos, enquanto os músicos riam a bandeiras despregadas .

 

Bufando de fúria, o pobre homem ainda olhou para o autor da brincadeira... mas de imediato lhe passou a "braveira", e começou a rir-se também.

 

Foi uma das patifarias mais cómicas que alguma vez se viu naquele conjunto!!!

 

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "Ass Like That" (Eminem)

Publicado por Visitante às 17:04
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Uma História em Murteira (Concelho de Loures)

 

Noite de inverno, actuação na colectividade local.

 

A banda chegou, foi retirado o material da carrinha e começámos a dispôr a aparelhagem e instrumentos nos respectivos sítios.

 

A namorada de um dos músicos (hoje casada com ele), uma morena de estatura mediana mas "rechonchuda" q.b., que naquela noite vestia uma saia acima do joelho (e ainda por cima uma saia "travada"!...) sentou-se numa cadeira.

 

No meio da nossa azáfama (coloca instrumento aqui, monitor ali, liga cabo acolá...) quase não nos apercebíamos do facto.

 

...Até que de repente, o nosso colega irrompe furiosamente palco adentro (por necessidade de espaço, ele montava os seus instrumentos fora do palco, após o que os içava para cima do mesmo) de blusão na mão e, numa voz alterada, invectiva a namorada dizendo: "(Fulana)! (Fulana)! Não quero cá nada disso! Toma lá o meu casaco!"

 

Só então é que nos apercebemos que a "Fulana" estava de pernas cruzadas, deixando ver uma porção generosa das mesmas... Mas nada de especial e que nós não tivéssemos visto antes...

 

Escusado será dizer que quatro pares de olhos, após constatarem a cena, se cruzaram entre si de um modo maquiavélico...

 

...E passado um bocado, o "tal-músico-de-1m80-de-altura-e-mais-de-100-kg-de-peso" (adivinhem quem  ...), recusou delicadamente algo a alguém dizendo "não quero cá nada disso!", ao que outro dos músicos disse "toma lá o meu casaco!".

 

Estava dado o mote para mais uma das frases-chave da colecção de "bocas foleiras" do conjunto...

 

O músico "autor da frase", ainda esboçou uma reacção de aborrecimento... mas, dando-se conta do ridículo, acabou por, desportivamente, colaborar no chorrilho dos disparates que invariavelmente concluíam por "Não quero cá nada disso!... Toma lá o meu casaco!".

 

Quanto ao bailarico, esse correu bem... sempre com o blusão sobre as pernas da "Fulana"...

 

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "A Perninha da Menina" (Pedro Barroso)

Publicado por Visitante às 14:05
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Uma História em Fonte Boa dos Nabos (Concelho de Mafra)

Noite de verão, arraial ao ar livre.

 

A banda chegou, montou o material, ligou fios, etc. etc. etc.

 

Tudo pronto para tocar...

 

Às 22:00, arranca a primeira música... e passados dois ou três minutos os músicos começam a olhar uns para os outros, pois notava-se ali uma desafinação qualquer que depressa se transformou numa ensurdecedora cacofonia.

 

Lá tentámos continuar... e lá se acabou a música...

 

Tivemos de parar para ver o que acontecera... e procedemos à audição dos instrumentos.

 

Toca a guitarra-solo isolada... tudo ok!

 

Toca a guitarra-baixo isolada... tudo ok!

 

Toca o teclado isolado ... tudo ok!... hmmm... esperem... HÃ???... de repente isto "subiu" a nota???.. Como assim?!?!...

 

Pois... desta vez, e ao contrário do que é habitual, era o meu teclado que estava desafinado. Mas como????

 

(Esclareço que este teclado a que me refiro na história nada tem a ver com aqueles que actualmente possuo... era um sintetizador com circuitos integrados que apenas emitia meia dúzia de frequências e mais nada...)

 

De repente, a resposta veio sob a forma de uma diminuição da intensidade de corrente...

 

Pois!... Naquele tempo, havia muitas localidades nos arredores de Lisboa que tinham uma corrente eléctrica fraquíssima, ao ponto de aqueles que possuíam televisores serem obrigados a ligá-los a estabilizadores de corrente para poderem assistir aos programas.

 

E foi precisamente com o recurso a um desses estabilizadores, que um dos elementos da Comissão de Festas prontamente disponibilizou, que a banda pôde continuar a sua actuação... com músicas afinadas (se eram bem ou mal tocadas... hmmmm... pois... rsss)

 

Eis-nos chegados ao final da actuação...

 

Feitas as despedidas ao público e tocada a "mais uma" canção da ordem, começámos a desligar o material.

 

De repente, ouvimos cá de baixo uma vozinha muito fininha a dizer algo, que não fazia muito sentido...

 

Olhámos na direcção da voz e vimos... ... ora bolas!, só cá faltava este!...

 

O "tolo" da terra tinha decidido vir chatear a cabeça aos elementos da banda... Só que...

 

Este deficiente, ao contrário de muitos outros que sofrem de mongolismo, tinha a mania de falar em "falsete"...

 

Olhem só com quem ele se veio meter!!!!...

 

De repente, eis cinco homens de barba rija em cima de um palco... todos a conversar em "falsete" sobre os assuntos mais corriqueiros deste mundo, enquanto o pobre deficiente, sentindo-se troçado (e com toda a razão, claro! ) os invectivava com a sua vozinha aflautada e usando todo o "reportório" possível e imaginário de palavrões...

 

Esta foi uma das cenas mais cómicas em que participei, podem crer!!!

 

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "Electricity"

Publicado por Visitante às 13:39
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Domingo, 16 de Setembro de 2007

Uma história nos Foros de Salvaterra

 

Noite de verão, arraial ao ar livre.

 

A banda chegou ao recinto... e os músicos esfregaram as mãos de contentes...

 

Essa noite iria ser de "dia santo na loja", pois estava programada a actuação de um artista, nome bem conhecido na nossa praça.

 

A banda foi actuando, com as habituais canções próprias de um arraial popular. E o pessoal estava a gostar.

 

Chegou o momento de actuar o famoso artista.

 

A Comissão de Festas pediu-nos o favor de anunciar o nome do artista. Nós tivemos o cuidado de referir que iria actuar o artista, bem como os seus músicos e técnicos.

 

E eis que o artista inicia a actuação com os seus êxitos...

 

Entre cada canção (vocês não vão acreditar no que vão ler, mas é verdade!), o homem comunicava com o público com "preciosidades" como estas:  "OH JEVENTUDEEE!!!", "ONTE ESTIVE EM 'TAL PARTE' ".

 

(Isso mesmo, a pronúncia era essa!!!)

 

A cada "calinada" que o homem debitava cá para fora, o "tal-músico-de-1m80-de-altura-e-mais-de-100-kg-de-peso" (adivinhem quem  ...) deitava as mãos à cabeça e levantava os olhos ao alto, pedindo ajuda divina...

 

Mas Deus, possivelmente, estava com os ouvidos tapados com algodão para não escutar tamanhos disparates...

 

A certa altura, o artista lembrou-se de pedir aplausos para toda a gente que integrava o arraial: Comissão de Festas, Junta de Freguesia, feirantes, público em geral...

 

...enfim... só faltou o Primeiro-Ministro, o Presidente da República... e o GRUPO DE BAILE!!!

 

Pois é!... O ilustre artista da nossa praça esqueceu-se (será que se esqueceu?) de mencionar aqueles tipos que, por um mero acaso, tocavam uns instrumentos e o faziam no outro palco...

 

Isso caiu-nos muito mal. Afinal, ele "esqueceu" oficiais do mesmo ofício... Isso apenas demonstrou a "qualidade" da pessoa, para além do artista...

 

A nossa "vingança" serviu-se fria: Quando o artista acabou a sua actuação, dissemos ao público: "Depois do artista (olvidando o nome dele), dos seus músicos e técnicos, o Grupo Musical "..." retoma a sua actuação. Esperamos que se divirtam connosco e com a nossa boa música".

 

Eu sei que pareceu um pouco arrogante este anúncio, mas foi mais forte do que nós.

 

Cumprindo o que declarei há uns meses atrás, ao iniciar este blog, o nome do artista não é divulgado. Mas desta vez deixo uma pista...

 

Visitante

 

Sinto-me:
Música: "Azar na Praia"

Publicado por Visitante às 21:48
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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Uma História entre Setúbal e Vila Nova de Milfontes

 

 

Hora de almoço de um dia de verão, zona de Setúbal.

 

Os músicos e o seu motorista pararam num restaurante à beira da estrada, para almoçar.

 

Mandámos vir umas sardinhas e uns carapaus assados, e toda a gente se saciou a preceito.

 

Mas, para além de se ter saciado a preceito, um dos elementos do conjunto - não!, desta vez não foi "tal-músico-de-1m80-de-altura-e-mais-de-100-kg-de-peso" (adivinhem quem  ...) - "descuidou-se" com a bebida...

 

E os restantes tiveram de o aturar durante o resto do percurso... Valeu o facto de esse músico ter uma veia humorística pronunciada quando bebia demais.

 

A dada altura do percurso, esse elemento do conjunto, que viajava no banco da frente da carrinha, lembrou-se de repente de se levantar do banco, virar-se de costas para o pára-brisas, baixar os calções e exibir a quem circulava em sentido contrário...  um rosado e luzidio traseiro!!! ...

 

Os olhos esbugalhados de surpresa dos outros condutores ao repararem naquele anatómico espectáculo valeram ouro...  

 

Após algumas horas de viagem (naquele tempo não havia auto-estradas - só segmentos... - e as carrinhas desse tempo nada têm a ver com as da actualidade, cujas prestações pedem meças a muitos automóveis ligeiros...), chegámos a Vila Nova de Milfontes.

 

Já com o "grão-na-asa" do nosso colega devidamente "dissolvido" e "digerido", lá procedemos à montagem e ligação do material.

 

E a partir das 22:00, demos início à actuação.

 

E logo então começou uma curiosa "batalha" entre o conjunto e a instalação eléctrica do recinto, para se apurar qual das duas partes conseguia estar activa - o conjunto - ou inactiva - a instalação eléctrica - por mais tempo.

 

Eu julgo que terá havido o que se pode chamar "empate técnico"...

 

Mas a coisa não se ficou por aí...

 

Durante um dos "apagões", um indivíduo saltou para o palco e dirigiu-se à bateria.

 

Antes de continuar, um pequeno à-parte: Nessa altura estava em voga a canção "AMOR", dos Heróis do Mar. Quem a conhece, decerto se lembra da introdução: quatro sequências de quatro toques de tarola (o tambor mais sonoro, onde normalmente são batidos os tempos fortes) e outras tantas exclamações "tchá! tchá!... tchá! tchá!.." feitas em simultâneo e em "backing vocals" pelos Heróis do Mar.

 

Pois bem, esse indivíduo saltou para o palco, dirigiu-se à bateria e, sem pedir licença a quem quer que fosse, agarrou numa "baquete" e começou a bater essas sequências na tarola.

 

... O que motivou desde logo uma intervenção furiosa do nosso baterista, que prontamente o expulsou dali.

 
Mais outro à-parte: Qualquer músico que se preze é extremamente meticuloso com os seus instrumentos...

 

Pois o tal indivíduo acatou a ordem de expulsão do palco e, enquanto descia dali, resmungava para si próprio: "tá!tá!, tá!tá!... não há!"

 

Era óbvio que aquele tipo devia estar fora do seu estado normal...

 

...pois, no "apagão" seguinte, lá estava ele de novo em cima do palco... com as calças em baixo e a exibir os órgãos genitais ao público quando as luzes se reacenderam...

 

Depois de devidamente "convidado" a sair do palco (por pouco que não teve o mesmo percurso dos "tufos de penas cacarejantes" relatados na história de Calvos hehehehe...), o indivíduo acabou por ser conduzido para longe dali.

 

Quando se deu mais um apagão que demorou mais de meia hora, e eram já duas da madrugada, o arraial terminou ali mesmo.

 

Para a memória do conjunto ficou o "tá!tá!, tá!tá!... não há!"...

 

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "Amor" (Heróis do Mar)

Publicado por Visitante às 12:53
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

Uma História em Terena (Concelho de Alandroal)

Madrugada de verão, arraial ao ar livre.

 

A banda tinha acabado a sua actuação e os músicos começaram a arrumar o material.

 

(Antes de continuar, quero aqui desmistificar um pouco aquela fama de "lentinhos" dos alentejanos.

 

Que sejam calmos, isso é verdade, pois é a sua própria natureza. Afinal, não precisam de ser "stressados"...

 
Mas daí a serem preguiçosos, vai toda a distância do mundo... E, acreditem, sempre que eu ia tocar a terras alentejanas, o público dançava todas as músicas sem descanso - ao ponto de, altas horas da madrugada, as senhoras descalçarem os seus sapatos para poderem dançar mais à vontade!!!!)

 

Enquanto arrumávamos o nosso material, reparámos num indivíduo sentado junto à porta da capela (o palco estava montado numa disposição perpendicular), encostado à parede, pernas estendidas no chão e a dormir a sono solto.

 

Até aí tudo bem, tipos a dormir nessas condições após uma noitada são o "pão nosso de cada dia", pois as (muitas) cervejinhas a mais não perdoam...

 

De repente, reparámos no suspeito riacho que fluía das pernas do moço... e nas calças encharcadas "naquele sítio"... Pois... as muitas cervejinhas a mais NÃO PERDOARAM MESMO...

 

Não pudemos deixar de rir a bandeiras despregadas com o insólito da situação, enquanto dois ou três elementos da comissão de festas levaram o moço dali sem que ele acordasse.

 

Como é da praxe, aquele quadro foi objecto de ditos e dichotes entre os músicos durante alguma semanas.

 

Passados quatro anos, voltei àquela simpática terra, integrado noutra banda.

 

Alguns dos populares locais vieram ter comigo, dando mostras de me reconhecer. Após algumas palavras de circunstância, não deixei de relembrar aquele episódio.

 

Resposta pronta, naquele característico sotaque alentejano (que nós adoramos gozar mas sem o qual não passamos): "Oh home, cale-se láááá!!! O gajo apanhou tamanha vergonhaaa naqueles cornooos que nunca mais tocou num copo que fossiii!!!" 

 

Moral da história: quer deixar de beber? Beba umas cervejas a mais, adormeça num sítio qualquer... e espere o resultado para apanhar uma vergonha... hehehehehe

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "Drink Before the War" (Sinead O'Connor)

Publicado por Visitante às 08:05
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Domingo, 17 de Junho de 2007

Uma História (em várias versões) em Chãs (concelho de Vila Nova de Foz Coa)

Meados de Agosto, arraial ao ar livre.

 

A banda actuou naquelas Festas em três anos consecutivos, mas só tenho histórias insólitas no dois primeiros. 

 

Assim:

 

 


 

No primeiro ano, as condições de estadia dos músicos roçavam a indigência. Tínhamos de dormir em casas particulares que nem água canalizada tinham. Como tal, só nos restava irmos tomar banho ao Rio Coa (na altura, ainda não tinham sido descobertas as pinturas rupestres), para ficarmos lavadinhos...

 

O Rio Coa, nessa altura do ano, estava com um caudal fraquíssimo, pelo que podíamos tomar banho nos pequenos fundões.

  

Pois bem, num dos dias em que a banda estava a banhos no Rio, o "tal-músico-de-1m80-de-altura-e-mais-de-100-kg-de-peso" (adivinhem quem  ...), lembrou-se de ensaiar um mergulho... SPLASHHH!!!... e quando retornou à superfície,  tinha um golpe algo profundo na zona da barriga, devido a ter roçado num pequeno escolho com uma aresta bem afiada.

 

Feito o curativo, regressámos ao recinto das festas... e não houve mais novidades nem percalços... a não ser a queima em simultâneo de quatro altifalantes em duas colunas que, nessa altura, eu usava como monitores de palco.... "coisa de somenos importância"...
 

 

 


 

No segundo ano, as condições já foram diferentes. Pudemos dormir numa residencial em Vila Nova de Foz Coa, o que melhorou substancialmente o nosso espírito.

 

... Ao ponto de um "tal-músico-de-1m80-de-altura-e-mais-de-100-kg-de-peso" (adivinhem quem  ...) ter cometido uma pequena "maldade": Numa das manhãs e após ter dormido um sono reparador, dirigiu-se ao café - hoje, uma dependência bancária - contíguo à Residencial e perguntou ao dono: -"Que sandes tem o Sr.?". A resposta veio lesta: -"Fiambre, queijo, chouriço,presunto, blá blá, blá blá, blá blá...". E o "tal-músico-de-1m80-de-altura-e-mais-de-100-kg-de-peso" (adivinhem quem  ...), com o ar mais inocente deste mundo, pediu: -"Então arranje-me, por favor, um galão e dois pães com manteiga"...

 

Pois... pela cara que o esforçado dono do café fez, eu cá penso que deve ter passado pela sua ideia fazer-me a entrega do galão "via aérea" com copo em versão "míssil teleguiado"...

 

Mas voltemos à festa...

 

Nesse ano, cada dia de festa teve a actuação de um artista. No primeiro, um conhecido cantor alentejano, que se fez acompanhar da sua guitarra. No segundo, uma conhecida cantora, hoje tentando ser fadista. E no terceiro, um outro conhecido cantor, também alentejano, que deixou uma indelével marca de tacão de bota num dos estrados do palco...

 

(Sobre este último cantor, que ainda hoje está na crista da onda, eu devo dizer que não sou grande apreciador do seu estilo... porém, a sua atitude de entrega total em palco granjeou-lhe o meu respeito desde então.)

 

Mas foi no segundo dia que sucedeu a grande peripécia desse ano.

 

A conhecida cantora estava a ser acompanhada por uma banda de quatro músicos. Eis senão quando... ouviu-se um típico (e, para nós,  músicos, temível) som de "arranhar" nos altifalantes do guitarrista... e a guitarra ficou "sem pio".

 

(Devo dizer que esse som, por muito "típico" que seja, é também das coisas mais desagradáveis que pode acontecer a um músico: é o som de um cabo a fazer curto-circuito...)

 

Apercebendo-se da situação, o nosso guitarrista (que era amigo do outro guitarrista), disponibilizou-lhe um novo cabo, que foi prontamente ligado à guitarra e ao amplificador... e nada...

 

Entretanto, a artista ia cantando e os restantes músicos acompanhando.

 

Como último recurso, lá substituímos o amplificador do guitarrista da cantora pelo do nosso guitarrista... e a actuação continuou sem mais problemas...

 

A nossa acção de ajuda a um colega mereceu o reconhecimento público da cantora, que pediu para o nosso conjunto uma salva de palmas.

 

Foi um gesto que caiu muito bem.

 

Mesmo assim, tal não impediu que a cantora, ao sair do palco a meio da sua actuação para mudar de vestido, se dirigisse aos bastidores a vociferar a sua frustração alto e bom som (e em linguagem que faria corar um carroceiro...).

 

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "This is my song" (Petula Clark)

Publicado por Visitante às 00:32
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